Blog - Gestão de Sentimentos

Gestão de Sentimentos

Por: Dália Morais
Data: 30 de Maio de 2011, ás 15:49
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Há uns anos atrás decidi que estava na hora de mudar a forma de ajudar os animais, que tinha chegado o momento de deixar de pensar em mim e tentar gerir os meus sentimentos, foi assim que comecei a ser Família de Acolhimento Temporário (FAT) .


 

 

No início apesar de me custar um pouco quando algum dos meus meninos eram adoptados, ia conseguindo gerir os meus sentimentos, até porque ainda não estava bem por dentro da crueldade de que os nossos animais são vítimas diariamente, nem que existia gente, que me faz sentir muita mas muita vergonha de pertencer à raça dos “ditos” humanos, gente que se descarta de um animal como se de um objecto se tratasse.

 

Com o decorrer do tempo a situação tem-se vindo a agravar, se quando comecei a ser FAT, eu tinha 3 gatinhos hoje o número é significativamente maior. A Kaly foi devolvida porque quem a adoptou queria engravidar e tinha medo da toxoplasmose, o Ciro porque é cego e ninguém o queria, o Picasso porque foi entregue no gatil para morrer em agonia, a xuxinha porque tinha umas névoas na vista e a queriam mandar abater, a sweet porque foi adoptada e devolvida a morrer à fome e à sede.

 

Estes estão comigo, mas tantos e tantos outros que passaram na minha vida, que quando eles partem, parte um bocadinho de mim.

 

Ontem foste para a tua nova casinha, minha linda gatinha ,que acolhi, pois estavas grávida mesmo no fim de tempo foi difícil, pois tu,e com muita razão estavas com medo, pois alguém que nunca te mereceu decidiu abandonar-te e tu ficaste entregue à tua sorte. Quando chegaste à nossa casinha o pânico dominava o teu frágil corpo, tentei não te forçar a nada, respeitar o teu espaço, compreender o que sentias, assim se passou uma semana até teres os teus lindos 5 filhotes, foi maravilhoso chegar a casa ver os teu bebés, o teu olhar era de orgulho e de felicidade, os teus olhos cruzaram-se com os meus e tu dizias-me podes ver, mas não lhes podes tocar, pois ainda não confio em ti, e eu, mais uma vez, respeitei o teu espaço pois queria mesmo do fundo do coração que tu gostasses de mim, mas também sei que teria que fazer por o merecer, tinha que perceber que tu, como boa mãe, só estavas a proteger os teus bebés.

 

Os dias foram passando, os teus filhotes começavam a dar os primeiros passos a fazer gracinhas, tu cada vez mais orgulhosa dos teus meninos, a cada dia que passava ias observando o meu comportamento para com eles, e foi maravilhoso quando tu percebeste que eu só estava ali para te proteger a ti e a eles, e finalmente me deixaste tocar-te. A partir desse dia ficámos amigas verdadeiras, uma amizade que nem todos compreendem, mas tu e eu sabemos o que nos une.

 

A parte dolorosa foi ver-te partir a ti e ao teu filhote, sei que estás muito bem, sei que também te vão amar, racionalmente sei que tem que ser assim, pois tenho que continuar a ajudar outros gatinhos que precisam de mim, mas a dor é tão forte que o meu coração ficou pequenino. Como é que se gere estes sentimentos?

 

Muitas pessoas me têm dito: “não sei como é que vocês conseguem fazer este trabalho”. Para nós também é muito difícil, o sofrimento porque passamos é demasiado doloroso, mas eles estão sempre em primeiro, por muita dor que sinta vou continuar a ajudá-los, vou continuar a tentar minimizar o mal que aqueles da minha raça lhes fazem.

 

 

Dália Morais

Maio/2011

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